Á semelhança dos dois anos anteriores, em finais de Maio, rumei ao Bairro Alentejano em Palmela, após a minha primeira prova na estafeta, interrogava-me o porquê de lá voltar. É uma prova rápida, curta para atletas pouco rápidos como eu, está calor, afinal que me faz lá ir há três anos consecutivos.

 

Pensei, será porque as minha raízes são Alentejanas, será essa simpatia e afinidade, será porque se estabelece o compromisso com mais três amigos que contam comigo para fazer a equipa? Hoje dissipei todas estas dúvidas. Habitualmente terminada a prova rumava a casa. Nesta prova existe, oferecido pela organização aos atletas, um almoço após a mesma. Nunca lá fiquei, este ano, inicialmente, pensei em ter a atitude dos anos anteriores, não me meter em confusões e sair dali para casa, mas em boa hora mudei de ideias e decidi ficar. Digo em boa hora, porque o ficar permitiu-me entender a essência da prova e saborear um simpático almoço.

 

Vamos por partes: almoço excelentemente confeccionado, umas febras com uma salada e um arroz de cenoura no ponto, sumo de laranja (no meu caso) ou vinho á descrição. O que parecia ir demorar tempo verificou-se errado, em menos de 45 min estavam sentadas á mesa centenas de pessoas a saborear o repasto.

Self-service ( em português, vai tu buscar o prato) rápido, comida q.b., simpatia de quem servia, excelente. Logo ali deu para perceber o que está na essência desta prova, o colectivismo ou esforço conjunto das pessoas para um objectivo comum, dar a quem vai participar e acompanhar a prova motivos para sair dali a pensar, vale a pena voltar, o tratamento é excelente. Intrigava-me o formato de prova, mais de 21 km, divididos por 4 atletas, porquê este formato de prova, que acaba por ser original, eu pelo menos não conheço mais nenhuma do género, excepto a maratona de Lisboa que faz estafeta do mesmo género na distância mas só há 2 anos.

Agora entendo a prova, representa o espírito que preside á Colectividade do Bairro Alentejano em Palmela, ou seja, o colectivo é que importa, a prova prolonga esse espírito e incentiva-o, é um colectivo que faz a prova, esforço conjunto para obtenção do resultado. E mais ainda , todo o esforço para proporcionar aquele repasto é feito num acto voluntário, pessoas que se levantam de madrugada para começar a prepará-lo. É um Portugal que me lembra as colectividades que vão desaparecendo, onde a moda do catering (mais um estrangeirismo) ainda não se tinha imposto. Havia identidade, e no Bairro Alentejano em Palmela essa identidade ainda é uma realidade. Hoje começa a dissipar-se este tipo de esforço colectivo, aqui encontrei um belo exemplo de que ele ainda existe e mais, é muito válido e cativa, por isso para o ano vou voltar, não porque sou Alentejano, mas porque me cativou este espírito. E mais posso afirmar que são dos mais generosos nas oferendas, tendo sempre o cuidado de oferecer até ás 60 primeiras equipas um troféu, bem como a uma t-shirt aos participantes.

Vamos á prova dos APP; duas equipas, estabelecidas sem grandes discussões, queríamos uma para competir por um bom lugar e outra equipa para fazer uma classificação que coubesse nos troféus, e assim foi! Os resultados falam por si, objectivo conseguido, toda a gente correspondeu á expectativa e cumpriu, talvez impregnados pelo espírito que atrás enunciei os APP que já nos habituaram a este esforço conjunto e para o conjunto. Habituados como estamos a esta prova a maioria são repetentes pelos APP, sendo que o Nascimento e eu fizemos o pleno, apenas um estreante, o Nuno Gomes, que demonstrou o porquê de lá estar. João Abrantes á altura, Pedro Gabriel em ascensão, Luis Roque, rápido, Carlos Teixeira em grande, compuseram a equipa  A dos APP. José Garrido, cumprindo, José Matos, rápido, António Nascimento, eficiente e Nuno Gomes , uma agradável surpresa, compuseram a equipa B. Para além de atletas, posso aqui manifestar que me orgulho de pertencer a este grupo pelo carácter das pessoas, educação, amizade e tantos outros adjectivos que aqui poderia colocar, mas fico por aqui.

E mais uma coisa, isto não são só atletas, uma palavra para a Manuela a esposa do Nascimento,  faz uma excelente companhia para além de ser a fotógrafa oficial, portanto mais uma APP que está de parabéns.