A minha costela benfiquista ressentiu-se, é certo. Sempre marquei presença na corrida do SLB, desde a sua 1ª edição. Aquela mítica passagem no interior do estádio, enche de orgulho qualquer um. Pelo menos fiquei com a T-Shirt (linda!!!) e de certeza que o nosso amigo Raul não deixou ficar mal o “meu” dorsal emprestado.

Com alguma pena minha, optei pela corrida do metro e é sobre esta prova de que vos venho falar.

Os bravos APPs que marcaram presença, depois de aquecerem os motores por debaixo do viaduto do Campo Grande, pois chovia consistentemente e estava algum frio, com vista para a churrasqueira (e já cheirava bem), rumaram para o local de partida, em frente à estação do Metro. Só dava vontade de dizer, é com cada maluco que se predispõe a sair de casa para correr tanto km, com um temporal destes e, ainda por cima, a prova passaria à frente do Hospital Júlio de Matos, é desta que nos iriam internar a todos…J

Minuto de silêncio, em homenagem a atleta falecido na corrida dos Sinos (Paz à sua alma) e tiro de partida.

A minha Prova

Primeiro km algo atípico, como de costume, alguma confusão, atletas muito rápidos a quererem “furar”, voltinha ao quarteirão mais próximo e passagem por debaixo do túnel do Alvalade XXI. Chiça, que mais um pouco quase parecia a corrida do Sporting, só faltou passarmos pelo interior do estádio.

Ao entrarmos no Campo Grande, com destino a Entrecampos, a prova estabiliza, e com ela o ritmo de prova também. Passagem em túnel, descida e respectiva subida com alguma quebra de ritmo, compensada depois.

Passagem aos 5Km, já em plena Av. do Brasil, com 20m19s, ritmo rápido mas sem forçar ao máximo, até porque íamos a subir, mas de forma suave. Passo por bastantes atletas, que a subir se poupam (???).

Viragem à direita, para a Av. Gago Coutinho, boa descida para recuperar e descansar, sem reduzir o ritmo. Passam por mim todos os atletas ultrapassados na subida anterior, e mais alguns. Mais à frente, no cruzamento com a Av. EUA, uma peripécia. Uma viatura do INEM, em missão urgente, faz interromper momentaneamente a prova. Neste caso, tive sorte, já tinha passado antes e só olhando para trás me apercebi.

Já na subida para o Areeiro, algo complicada, voltei a ultrapassar muitos atletas, sem reduzir muito o ritmo de prova, com novo período de chuva forte (tinha dado algumas tréguas nos Kms iniciais). Decididamente, há muito pessoal que gere a prova de forma diferente (e algo irregular, pelo meu ponto de vista), mas quem sou eu para criticar…descem muito rápido, sem se pouparem, e perdem muito nas subidas.

Passagem ao Areeiro e finalmente a longa descida da Av. Almirante Reis. Imprimo um ritmo um pouco mais forte, sinto-me bem e poucos são os que por mim passam.

Aos 10 km (na zona dos Anjos) sinto curiosidade de olhar para o cronómetro e fico pasmado, levo 40m35s, o meu melhor tempo aos 10km, de sempre. Tento não entrar em euforias e manter o ritmo que até ali me trouxe.

Passagem ao Martim Moniz, Praça da Figueira, Rua dos Fanqueiros, com ligeira subida, sem perder ritmo, e a pensar, que bonito é correr pelas ruas de Lisboa, a nossa bela capital. Até que “boas” surpresas nos aguardavam, mais à frente…

A chegar ao Campo das Cebolas, os buracos eram tantos (e cheios de água) que por muito que escolhêssemos o percurso, era inevitável um, ou ambos os pés, dentro de água. Seria a prova de natação, pelo meio, tais piscinas olímpicas que se nos deparavam…

A caminho de Santa Apolónia, algo de nunca visto (pelo menos, por mim), um cruzamento inédito de atletas. Passo a explicar: para lá, a caminho do retorno, a corrida fazia-se pela esquerda e a dada altura muda para a direita, acontecendo o inverso a quem já vinha em sentido contrário. Não assisti a choques frontais, mas que era situação propícia a tal, era, com a agravante do piso ser mau e estar cheio de poças de água, o que tornou tal troço numa autêntica gincana. Tudo porque os senhores da organização decidiram que o retorno teria viragem à esquerda, e não à direita, como seria mais prático e inteligente. Enfim…

Nada disto me faz baixar o ritmo, antes pelo contrário, este troço de corrida comum serviu para vermos e cumprimentarmos amigos e atletas conhecidos, em excelente performance, o que dá sempre um alento suplementar, ainda para mais com o aproximar da meta (faltaria 1km).

Rua da Prata feita quase a voar, a 3m56s/km, Rossio à vista.

Ainda tempo para outra peripécia, um eléctrico que fura o bloqueio e atravessa a dita Rua, com prejuízo para alguns atletas. Novo golpe de sorte, foi um pouco à minha frente. Não me atrapalhou nada…

Último esforço ao virar para o Rossio, sprint final para tentar abaixo da 1h01m00 e eis que o tempo oficial é mesmo esse, com menos um segundo para o meu tempo pessoal (GPS com mais 160 metros, para além dos 15.000m).

Parabéns a todos os atletas APPs. Creio não incorrer em erro se disser que todos melhorámos os nossos tempos à distância, todos chegámos ao fim satisfeitos. Objectivos mais do que cumpridos. Excelente classificação por equipas (28ª em 83), obrigado e parabéns ao Adolfo Loureiro (que não tenho ainda o prazer de conhecer), que para tal muito contribuiu.

Nota final, que o testamento já vai longo, para a quantidade e qualidade dos brindes oferecidos (troféu de prova incluído), tornando mais do que justo o valor pago pela inscrição.

Molhados, ou melhor, ensopados, mas felizes. Foi esta a nossa manhã, de um certo Domingo de Abril.

Um abraço a todos.